Gostar dele era aprender a esperar.
Esperar a resposta, esperar a confirmação, esperar o próximo encontro, esperar o humor certo. Era sempre um pouco cedo demais pra cobrar e tarde demais pra desistir. O tempo entre nós nunca coincidiu, não por causa do relógio, mas por causa da intenção.
Enquanto eu organizava o dia pensando no momento em que veria seu nome na tela, ele parecia viver num agora constante, onde tudo podia acontecer, inclusive nada. Eu chamava de diferença cultural. De novo, traduzindo.
O problema de amar alguém que vive em outro fuso emocional é que você começa a atrasar a própria vida pra caber na dele. Vai empurrando decisões, silenciando vontades, adiando conversas importantes. Tudo em nome de uma paz frágil que só existe se você não tocar no assunto errado.
E sempre havia um assunto errado.
Eu dizia pra mim mesmo que ele demonstrava do jeito dele. Que não era falta, era estilo. Mas afeto que precisa ser constantemente explicado costuma doer mais do que amar sozinho.
Eu estava sempre disponível. Ele, eventualmente.
E essa assimetria cansa. Cansa o corpo, cansa a cabeça, cansa o coração. Amar não deveria ser um exercício constante de adaptação unilateral.

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