Hoje, no centro da cidade, eu vi você. Ou pelo menos foi isso que meu coração decidiu acreditar antes dos meus olhos.
Você vinha na minha direção. Havia pessoas passando entre nós, ônibus cruzando a rua, vendedores chamando clientes, o barulho comum de uma cidade que nunca para. E, ainda assim, tudo pareceu diminuir de volume. Meu coração acelerou de um jeito que fazia tempo que eu não sentia. Eu conseguia sentir o sangue pulsando nas veias e as batidas ecoando no pescoço.
Por um instante, pensei em desviar. No outro, continuei andando.
Talvez porque uma parte de mim sempre tenha imaginado como seria um reencontro. O que eu diria. Se eu sorriria. Se fingiria que não vi. Ou se apenas seguiríamos como dois desconhecidos que um dia souberam tudo um sobre o outro.
Quanto mais nos aproximávamos, mais familiar aquele rosto parecia. Até que nos cruzamos. E não era você. Era apenas um estranho carregando traços que a minha memória insistiu em reconhecer. Alguém que nunca soube que, por alguns segundos, fez meu coração voltar no tempo.
Continuei caminhando, mas levei comigo uma certeza curiosa: às vezes, não é a pessoa que ainda mora na gente. É a lembrança dela. Ela aparece em rostos parecidos, em perfumes conhecidos, em músicas esquecidas e em ruas que já foram cenário de uma história.
A cidade continuou a mesma. Quem mudou fui eu. Porque, dessa vez, depois do susto, eu apenas segui em frente.

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