O silĂȘncio dele nunca vinha vazio. Eu Ă© que insistia em esvaziĂĄ-lo.
Quando ele sumia, eu criava justificativas. Quando demorava, eu oferecia compreensĂŁo. Quando mudava o tom, eu fingia nĂŁo perceber. O silĂȘncio virava idioma, e eu me matriculava todos os dias nesse curso intensivo de interpretação emocional.
A verdade Ă© que silĂȘncio repetido Ă© escolha. E ausĂȘncia constante Ă© posicionamento.
Mas admitir isso exigia aceitar que eu estava sozinho naquela construção. Que a história que eu defendia com tanto cuidado só existia inteira dentro de mim.
Ele falava quando queria, aparecia quando era conveniente, e eu chamava isso de liberdade. Hoje entendo que era falta de responsabilidade afetiva, e a minha começou no momento em que aceitei.
SilĂȘncio tambĂ©m comunica. E Ă s vezes diz exatamente aquilo que a gente nĂŁo quer ouvir.

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