Havia intimidade. Isso nunca foi mentira.
Havia conversa, troca, riso, toque, histórias compartilhadas no escuro do quarto e na luz fraca de um fim de tarde. O problema não era a falta de vínculo, era a falta de chão.
Tudo entre nós parecia provisório. Até o que era intenso.
Eu nunca soube exatamente onde pisava. Se podia avançar, se devia recuar, se aquele carinho significava permanência ou apenas conforto momentâneo. E viver em estado de dúvida constante transforma qualquer gesto bonito em ansiedade.
Intimidade sem segurança é armadilha emocional. Porque você se entrega, mas não repousa. Se aproxima, mas não descansa. Ama, mas está sempre em alerta.
E eu fiquei tempo demais ali, tentando fazer de um espaço instável um lugar habitável.

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