É que um carinho às vezes cai bem



É Caetano, não é só você que está se sentindo sozinho. Eu também estou. Tento parecer ao máximo forte, decidida, e muito desapegada. Mas é que tem hora que a vontade de ter um carinho, um aconchego, bate forte feito uma batida do dedinho na quina da mesa. É, dói. Dói o fundinho do coração. Nem toda hora consigo fingir que está tudo bem e que a vida sozinha e solteira é feito festa open bar.
Aliás, falando em open bar, fui em um por esses dias. Foi lá que eu percebi o quanto um carinho e ter alguém ao meu lado está me fazendo falta. Vi por lá pessoas nas quais um dia já gostei, com quem me relacionei e com quem eu pisei na bola. Eu erro em relacionamentos como todo mundo, não posso passar a vida toda culpando o outro e falando a velha frase: ‘Os homens não prestam’. Enfim, isso só foi um parênteses, pra minha real conclusão: preciso de carinho e companhia.
Ali me vi sozinha. ‘Ora ora, festas open bar lotam de gente’. Sim, eram duas mil pessoas cara! DUAS MIL! Mas eu me sinto sozinha. Sozinha no meio do povo. Sozinha deitada na cama todos os dias. Sozinha assistindo um filme. Sozinha pra dividir minhas vitórias e minhas vontades de desistir de tudo e ouvir um: ‘calma eu estou aqui’. Sozinha nas minhas teorias. Sozinha nos meus pensamentos do tipo: ‘por que a unha do pé cresce mais rápido que da mão?’ Ou: ‘Por que o Toddynho tem marcação pro furinho? E se eu não quiser furar ali?’Eu sou estranha mesmo e queria alguém comigo pra dividir minhas estranhezas. Diz, também Caetano, que quando a gente gosta é claro que a gente cuida. Então é isso, preciso de alguém que cuide de mim. 
Sabe aquela ansiedade esperando mensagens e sofrer por vácuo? Não tenho mais. E olha, pode parecer loucura, mas me faz falta. Juntar meu nome com sobrenome de alguém? Há tempos não sei mais o que é isso. Conheço pessoas interessantes por aí, não vou negar. Mas ninguém que eu queira passar todo um inverno assistindo filme e comendo pipoca. Porque logo após os primeiros beijos, se transformam em pessoas que eu não desejo ao meu lado. O filme da vida amorosa fracassada se repete. De vez em quando, uma lágrima escorre quando o peito explode procurando o nome de um outro coração pra bater.
O tempo é do desapego, mas meu tempo é do apego, da vontade de estar junto, de dividir sonhos, vontades e realizações. De rir de bobagens, de sentir vontade de se casar num domingo, de querer pular de bungee jump. De ouvir uma música e lembrar de alguém. De receber uma mensagem e sorrir automaticamente. De estar no meio de uma multidão e só uma pessoa ser importante e ter um brilho no meio de tanta gente que se torna preta e branca. Porque aquela pessoa já é um arco íris ao sorrir.

É solidão, seu tempo na minha vida já deu. Arrume logo as malas e parta pra longe. Estou no aguardo daquele carinho que tanto faz bem, pra preencher as lacunas dessa saudade, daquilo que faz tempo que não sinto me tocar. Na alma, na pele e no coração.

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